Céu dos Cisnes

cartografias astrológicas e composições afins 

Procedimento composicional-coreográfico que se utiliza de elementos, sistemas e texto cultural utilizado na astrologia contemporânea como disparadores e guia do processo criativo em dança.

 

Coreográfico, aqui, compreende-se como a estruturação de um jogo cênico estabelecido nas relações entre fatores de estabilidade e instabilidade sobre as quais o dançarino move e toma decisões. Em outras palavras, estruturas abertas à improvisação e composição em tempo real.

 

Em tal procedimento, a astrologia não é utilizada como um “fim”, tampouco como tema (não se busca representações de temas astrológicos). Em mapas astrológicos ou específicas configurações entre “planetas”, “casas”, “signos”, “aspectos” buscamos pontos de partida para o processo criativo dos artistas, com os recursos de linguagem e técnica que dominem e, ao mesmo tempo, retornamos aos mapas e configurações continuamente para checar a coerência estrutural (composicional) de todo o material que for emergindo.

 

Um astrólogo compõe e traduz em palavras e histórias as representações abstratas de uma carta astrológica, partindo do pressuposto que ali esteja contido campos arquetípicos que digam respeito à “composição” que uma pessoa esteja fazendo de sua vida. Da mesma forma, pelo procedimento COREOASTRO, criadores em dança são levados a compor e traduzir na linguagem e recursos de sua arte esses mesmos campos, mas movidos pela liberdade imaginativa que sejam capazes, em vez de qualquer compromisso de interpretação psicológica ou terapêutica.

Esse método.

 

O privilégio de imaginar sobre a imaginação dos dançarinos.

Abre-se mão do propósito narcísico de “expressão corporal”, para expor-se numa experiência corporal. A poética é o jogo que engaja o dançarino e aquele-que-vê (que pode ser ele mesmo, jogando de outro para si).

Talvez eu não faça dança. Talvez eu tente fazer poesia no contexto desse intenso interesse no corpo vivo e imaginante. Portanto o interesse em imagens e relações mais do que em movimentos. São imagens equacionadas com tempo.

Portanto movem, transformam, ecoam, ressoam, escapam.

Sobretudo interessa-me o instante antes das coisas terem palavra real, explicada, contida. O instante milimétrico antes de fazer sentido. Aquele-que-vê que complete a fala da boca que veja em cena. Ainda que o melhor seja ficar no espanto ou deleite mudo (é possível apenas sentir o peso dos sentidos e gozar isso). Tento não me importar, sem faltar com o respeito. Nem com a curiosidade. Nem com a dúvida. Não vamos tirar ninguém de casa sem zelo por isso, mas que cada um se responsabilize por si e seus sentidos!

Por trás de tudo, vejo (ou suspeito) relações de ritmos e volumes, que me dão possibilidades de espaço e tempo, peso, cores, humores, etc. E tudo fica tátil, como se pudesse ser manejado entre a carícia e o corte, entre a delicadeza e o bruto, o áspero e o suave, o pesado e o leve, o etc e o etc.

Hugo Leonardo.

Feira dos Penitentes, 2018. Intervenção. Residencias artísticas com o Coletivo Lugar Comum, de Recife em 2016. Selecionado para a Mostra CultDance 2018, Brasilia..

Dancing Myths, 2015. Performance. Teaser para première da peça criada no projeto Archetypes de Sandra Anais, Fičo Ballet, Eslovênia. 

Rebel, 2015. Vídeo. Coreoastro no projeto Archetypes de Sandra Anais, Fičo Ballet, Eslovênia. 

Dirty and Clean, 2015. Vídeo. Coreoastro no projeto Archetypes de Sandra Anais, Fičo Ballet, Eslovênia. 

Secrets of Hilde, 2015. Vídeo. Coreoastro no projeto Archetypes de Sandra Anais, Fičo Ballet, Eslovênia.